Quando olhamos para a igreja em Angola, temos motivos para nos alegrar, e também motivos para interceder.
A Igreja tem crescido muito em Angola. Nos duros anos da guerra, que durou cerca de três décadas, havia também perseguição às igrejas, com prisão de líderes e outras retaliações, patrocinadas pelo governo de matiz comunista. Apesar disto, mesmo debaixo de perseguição, a igreja cresceu e se espalhou por todo país. A religião predominante é o catolicismo, como no Brasil, devido à colonização portuguesa, mas o seguimento evangélico já beira os 30% da população, apesar de não haver dados estatísticos seguros.
Ainda assim, há ainda grupos étnicos que não têm as Sagradas Escrituras em sua língua, e há povos que ainda não ouviram o Evangelho. Em Angola, apesar de o português ser a língua oficial, existem cerca de 40 línguas, e muitos não falam o português, principalmente no interior, nas vilas e aldeias mais distantes das grandes cidades. Nas regiões mais isoladas ao sul e sudoeste, próximas à Zâmbia e à Namíbia, vários povos ainda não têm qualquer manifestação cristã em sua própria cultura.
Além desse trabalho “incompleto” na nação, o crescimento da igreja não é somente motivo de louvores a Deus, mas também de oração diante das necessidades. Há uma enorme carência de treinamento entre os lideres da igreja, muitos com uma formação acadêmica muito pobre, e com um conhecimento teológico muito precário. Esse é um dos motivos de haver tanto sincretismo e doutrinas erradas na igreja de Angola. Não é raro encontrarem-se crentes que freqüentam a igreja por anos, até ocupando lugares de liderança na igreja, que ainda acreditam em feitiçarias e no poder dos espíritos, e muitas vezes até têm práticas relacionadas a essas crenças.
Em Angola também é seriíssimo o problema da corrupção, e, infelizmente, membros da igreja que têm posições no serviço público e no governo muitas vezes participam das mesmas corrupções que são quase que uma prática generalizada no país. A ética cristã não é aprendida, e as pessoas não conseguem perceber a incompatibilidade entre a vida cristã, com sua ética de justiça e verdade, e a prática da corrupção, da mentira, e da injustiça.
A impureza também é um problema que aflige de forma intensa a igreja, talvez de uma maneira não muito diferente do que acontece no Brasil. Infelizmente, é comum o relato de lideres que caíram em adultério, sem contar a prática comum no país de se ter mais de uma esposa, prática condenada pela igreja cristã do país, mas culturalmente aceita e às vezes presente no seio da igreja.
Oremos por Angola, para que haja capacitação e treinamento da liderança que Deus tem levantado na nação. Que o Senhor limpe sua igreja de todo engano das trevas, toda doutrina errada, toda “mistura” com o ocultismo e a feitiçaria. Que o Senhor também limpe sua igreja da corrupção, do amor ao dinheiro e da impureza sexual.
Que o Senhor desperte sua igreja para levar o Evangelho e as Sagradas Escrituras aos povos ainda não-alcançados no país. Que a igreja saia do comodismo de suas paredes e bancos, e procure ser instrumento de amor do Senhor na comunidade, principalmente em serviço aos pobres e necessitados, e em busca dos não alcançados, seja os de perto ou os de longe.
Temos uma afinidade cultural e histórica com Angola, e dá para perceber que os problemas enfrentados por Angola são semelhantes aos encontrados no Brasil, alguns de uma maneira um pouco mais aguda, e com nuances um pouco diferentes.
Temos também certa dívida histórica, uma vez que os escravos africanos trazidos pelos portugueses vieram na sua grande parte de Angola. Assim, é provável que muitos de nós tenhamos algum “sangue” angolano correndo em nossas veias, e o carinho que os angolanos expressam pelo Brasil, nos aproxima e nos convida a nos envolvermos, seja em oração ou de alguma outra forma prática, na redenção de Angola.
Pr. Eduardo Lucas Ferreira